sexta-feira, 1 de abril de 2016

Em enterro, moradores de Alto do Saldanha relatam ameaças de traficantes

(Foto: Lara Bastos/CORREIO)
 "Se a polícia chegar a gente mete bala e se morador tirar onda também", repete uma moradora da Rua do Alto do Saldanha, em Brotas. A frase foi ouvida de um dos traficantes que comandam a boca instalada ao lado da casa dela. A população relata que os bandidos andam com armas na cintura e intimidam quem passa.

 Outra moradora conta ainda que não alerta a polícia "para depois não ser mais uma inocente enterrada". O medo é justificável, pois a ameaça dos traficantes provou ser verdadeira no início de março, quando um grupo de amigos foi vítima de um ataque dos bandidos.

 Na ocasião, os irmãos percussionistas Josino Eduardo Santos Rodrigues, Eduardo Josino Santos Rodrigues e o vendedor Marivaldo Lima Santos foram atingidos pelos disparos. Josino não resisitiu aos ferimentos e morreu no local, mas Eduardo e Marivaldo foram socorridos pelos vizinhos ao Hospital Geral do Estado (HGE). 

 Marivaldo ficou quase um mês internado e morreu na manhã de ontem no HGE. Ele foi baleado na região cervical, no tórax e no braço esquerdo. O corpo de Marivaldo foi enterrado no Cemitério Municipal de Brotas na tarde desta sexta-feira (1), sob forte comoção dos presentes. Já Eduardo passou por cirurgia para retirada dos projéteis e recebeu alta uma semana depois.

 Investigação

 Testemunhas e vizinhos apontaram os traficantes Neném e Lucas como autores dos disparos, mas até o momento ninguém foi preso. "Eles continuam lá de boa. Todo mundo no mesmo local, fazendo as mesmas coisas", indignou-se uma moradora. De acordo com a Polícia Civil, as investigações do caso estão avançando e 10 pessoas já prestaram depoimento sobre o ocorrido.

 Ainda segundo a polícia, seis traficantes da região teriam participado do ataque, motivado pela morte de um comparsa do bando. No entanto, o motivo do grupo de amigos ter sido vítima dos disparos ainda está sendo investigado. Maiores detalhes sobre o caso, como a identidade dos suspeitos, não serão divulgados pela Polícia Civil, para não atrapalhar a investigação.

 Despedida

 O velório de Marivaldo Lima Santos foi marcado pelas homenagens de familiares, amigos e vizinhos, que a todo momento se comoviam e faziam salvas de palmas. O corpo de Marivaldo foi enterrado sob um coro de "Não deixe o samba morrer", uma das canções favoritas dele.

 Amigos contam que o vendedor era fã do gênero e gostava de cantar e tocar percussão em rodas de samba nos eventos da família. Marivaldo trabalhava em uma loja de material de construção da região. Ele deixa esposa e um filho.