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(Foto:
Lara Bastos/CORREIO)
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"Se
a polícia chegar a gente mete bala e se morador tirar onda também",
repete uma moradora da Rua do Alto do Saldanha, em Brotas. A
frase foi ouvida de um dos traficantes que comandam a boca
instalada ao lado da casa dela. A população relata que os bandidos
andam com armas na cintura e intimidam quem passa.
Outra
moradora conta ainda que não alerta a polícia "para
depois não ser mais uma inocente enterrada". O medo é
justificável, pois a ameaça dos traficantes provou ser
verdadeira no início de março, quando um grupo de amigos foi vítima
de um ataque dos bandidos.
Na
ocasião, os irmãos percussionistas Josino Eduardo Santos
Rodrigues, Eduardo Josino Santos Rodrigues e o vendedor
Marivaldo Lima Santos foram atingidos pelos disparos. Josino não
resisitiu aos ferimentos e morreu no local, mas Eduardo e
Marivaldo foram socorridos pelos vizinhos ao Hospital Geral do Estado
(HGE).
Marivaldo
ficou quase um mês internado e
morreu na manhã de ontem no
HGE. Ele foi baleado na região cervical, no tórax e no braço
esquerdo. O corpo de Marivaldo foi enterrado no Cemitério Municipal
de Brotas na tarde desta sexta-feira (1), sob forte comoção dos
presentes. Já Eduardo passou por cirurgia para retirada dos
projéteis e recebeu alta uma semana depois.
Investigação
Testemunhas e vizinhos apontaram os traficantes Neném e Lucas como autores dos disparos, mas até o momento ninguém foi preso. "Eles continuam lá de boa. Todo mundo no mesmo local, fazendo as mesmas coisas", indignou-se uma moradora. De acordo com a Polícia Civil, as investigações do caso estão avançando e 10 pessoas já prestaram depoimento sobre o ocorrido.
Ainda
segundo a polícia, seis traficantes da região teriam participado do
ataque, motivado pela morte de um comparsa do bando. No entanto, o
motivo do grupo de amigos ter sido vítima dos disparos ainda está
sendo investigado. Maiores detalhes sobre o caso, como a identidade
dos suspeitos, não serão divulgados pela Polícia Civil, para não
atrapalhar a investigação.
Despedida
O velório de Marivaldo Lima Santos foi marcado pelas homenagens de familiares, amigos e vizinhos, que a todo momento se comoviam e faziam salvas de palmas. O corpo de Marivaldo foi enterrado sob um coro de "Não deixe o samba morrer", uma das canções favoritas dele.
Amigos
contam que o vendedor era fã do gênero e gostava de
cantar e tocar percussão em rodas de samba nos eventos da família.
Marivaldo trabalhava em uma loja de material de construção da
região. Ele deixa esposa e um filho.
