domingo, 6 de março de 2016

“Me sinto um pássaro sem asa”, diz piloto que salvou família Huck há 10 meses

 Dez meses depois de ter protagonizado acidente aéreo com repercussão nacional e que por pouco não terminou em tragédia, o piloto campo-grandense Osmar Frattini revelou em entrevista a programa da Rede Record, neste domingo (6), que passa por dificuldades financeiras e que até hoje não conseguiu voltar ao trabalho.
Acidente aconteceu no dia 24 de maio do ano passado - Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado/Arquivo

 Osmar era piloto de um taxi aéreo que levava os apresentadores Luciano Huck, Angélica, os três filhos e duas babás do Pantanal até Campo Grande, no dia 24 de maio do ano passado.

 Depois de problemas mecânicos na aeronave, que fizeram com que o motor esquerdo parasse completamente e comprometesse o direito, o piloto tomou a decisão de fazer um pouso de emergência em fazenda localizada a 20 quilômetros de Campo Grande.

 Apesar do susto e de alguns estragos no avião, nenhum dos ocupantes teve grave ferimentos. Angélica foi a única a precisar ser acompanhada por mais tempo por equipe médica porque teve uma pequena fratura em umas das vértebras.


 Na época do acidente, Osmar foi suspenso pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o procedimento é padrão em qualquer acidente. O piloto, então, recebeu doações de amigos e depois de algumas semanas começou os procedimentos para voltar a voar.

 Ele passou por processo de reciclagem, que contou com exames médicos e psicólogos. Tudo foi feito e Osmar aprovado. No entanto, a empresa MS Taxi Aéreo o suspendeu do trabalho e até hoje, dez meses depois do acidente, ele não pôde voltar ao emprego.

DEPOIMENTO
 Desde que sofreu o acidente, Osmar pouco falou com a imprensa. No entanto, neste domingo foi veiculada entrevista dada por ele ao programa Domingo Show, da Rede Record. O piloto relembrou todos os fatos do dia do acidente e demonstrou revolta em não poder voar novamente. “Me sinto como um pássaro sem asa”, disse.
À esquerda, o piloto no dia do acidente (Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado)

 Apesar de todas as habilitações junto à Anac estarem em dia, Osmar não voltou ao trabalho porque está suspenso pela empresa onde ele trabalhou por 15 anos. “Não sei o motivo da suspensão, eu só sei que quero voltar a voar para sustentar minha família”, desabafou Osmar.

 O piloto também revelou que passa por dificuldades financeiras, que teve que vender a casa onde vivia com a família para custear a faculdade dos filhos, que cursam Direito e Medicina.

 Hoje Osmar vive de aluguel e recebe salário de aproximadamente R$ 3 mil, o valor corresponde ao salário-base da profissão, mas quando estava na ativa, o piloto recebia cerca de 85% a mais.
 Para a reportagem da Rede Record, a ANAC informou que Osmar está apto a voar. Já a empresa MS Táxi Aéreo não detalhou porquê até hoje mantém o piloto suspenso. O apresentador Luciano Huck também foi procurado pela produção do programa, mas se recusou a falar sobre o assunto que, segundo ele, traz sofrimento à família.