Para
alguns homens, o desejo por outro homem não muda a orientação
sexual
O
arco-íris da sexualidade humana tem muito mais do que sete cores.
Entre a heterossexualidade e a homossexualidade, existem tantas
nuances quanto desejos. No meio desse caminho, estão os HSH (homens
que fazem sexo com homens). São homens que gostam de transar com
outros, porém não se consideram gays.
"Nunca
consegui me imaginar de mãos dadas ou trocando carinhos. Sexo com
homem é grosseiro, por isso é só sexo", diz Antônio* (nome
fictício), 40, corretor de seguros, que se identifica como hétero.
Pai de um menino de cinco anos, ele já foi casado e namora apenas
mulheres. "Nunca conseguiria me relacionar afetivamente com um
homem, tenho 101% de certeza, curto apenas a putaria na cama",
fala, negando qualquer hipótese de que poderia ser um homossexual
enrustido.
A
ideia de negação da verdadeira orientação sexual sempre surge
quando alguém coloca em prática uma fantasia que não corresponde à
sexualidade assumida. Porém, para o sociólogo Felipe Padilha,
membro do grupo Quereres - Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero
e Sexualidade da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), não
há essa relação. "O contato erótico entre homens não leva
necessariamente a uma identidade."
Para
Flávio* (nome fictício), 25, analista de sistemas, tanto a
homossexualidade quanto a bissexualidade estão mais ligadas aos
sentimentos por alguém do mesmo sexo. Por essa razão, ele se
considera hétero, apesar de transar com homens desde os 15 anos.
Flávio tem prazer em ser penetrado, mas, assim como Antônio, não
se imagina namorando outro homem. "Meu desejo é apenas para
sexo. É só tesão, talvez uma fantasia ou um prazer que a mulher
não pode me dar."
Prazer
escondido
Nem
todos os HSH desfrutam do sexo anal. "Não gosto de ser
penetrado, apesar de já ter sido, fico desconfortável, mas curto
uma lambida, o que é mais fácil ter entre homens", conta
Márcio* (nome fictício), 27, professor de história, que fez sexo
com um amigo pela primeira vez há três anos por curiosidade.
Márcio
tem uma parceira sexual há quase dois anos e prefere fugir dos
rótulos. "Poderia dizer que sou bissexual, mas acho tais
nomenclaturas desinteressantes. Minha orientação sexual é a de
permitir entrar em contato e experimentar o mundo como aventura."
Muitas
vezes, as relações sexuais entre os HSH são mantidas em segredo
por causa do preconceito em relação a esse tipo de comportamento.
"Diferentemente dos homens, que adoram quando duas mulheres
ficam, muitas mulheres não ficariam com um homem que já transou com
outro. Acham que o cara é gay e não serve para elas", afirma
Flávio, que prefere não contar sobre esse aspecto da sua vida para
as namoradas até sentir abertura para isso.
Márcio
fala que já revelou para algumas parceiras que sente atração por
homens e até participou de uma transa a três com uma namorada.
Apesar dos preconceitos, tabus e do machismo, o professor diz
acreditar que cada vez mais pessoas estão dispostas a viver os
relacionamentos e a sexualidade de outras formas, além dos modelos
tradicionais. "Hoje em dia é mais fácil encontrar quem lide
bem com essas questões, ainda mais em grupos de poliamor."
Antônio
diz que, quando começou a ter experiências com outros homens,
chegou a se questionar se era gay. Contudo, percebeu que seu desejo
não estava relacionado à sua orientação. Hoje, ele não se
preocupa tanto com julgamentos morais. "Sou muito homem no dia a
dia, mas se quiser sentir outro pau serei bicha por minutos, horas e
depois minha vida volta ao normal, o que importa é o meu prazer."
Fonte: http://itnet.com.br/