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Caso
Beatriz: ao menos cinco pessoas são suspeitas
de envolvimento na morte de menina em Petrolina (Foto: Divulgação/Polícia Civil) |
A
Polícia Civil acredita que pelo menos cinco pessoas
participaram do assassinato de Beatriz Angélica Mota, 7
anos, morta dentro de uma escola em Petrolina (PE), na divisa
com a Bahia.
O
crime também teria sido premeditado, e os suspeitos conheciam bem a
escola, apontou o laudo da perícia local, divulgado nesta
terça-feira (29). A garota, que morava com a família em uma
chácara em Juazeiro, na Bahia, foi encontrada em um depósito de
material esportivo desativado, que fica ao lado de uma quadra de
esportes onde acontecia uma solenidade de formatura.
Ela
foi esfaqueada 42 vezes no tórax, membros superiores e inferiores.
Ainda
de acordo com o laudo da polícia, o crime não aconteceu no local
onde o corpo de Beatriz foi encontrado na escola. "É dado como
certo que a criança não foi morta onde foi encontrada. Ocorreu a
execução do crime em um outro local da escola, e a criança foi
transportada e jogada no depósito, atrás do armário", disse o
delegado Marceone Ferreira, responsável pela investigação.
Ainda
de acordo com a polícia, três chaves da escola sumiram 10 dias
antes do crime, no dia 25 de novembro de 2015. Na ocasião, o molho
de chaves foi passado por alguns funcionários da escola, que
registraram o desaparecimento delas no final do dia.
Elas
dariam acesso aos portões internos e externos da escola. "Além
disso, no momento do crime, toda a iluminação estava
desligada. As lâmpadas da escola estavam todas apagadas nos
corredores. Ou seja: visibilidade zero", disse o delegado. Isso
dificultou a gravação das imagens das câmeras de segurança.
Assassino
não agiu sozinho, afirma polícia
Ainda de acordo com o investigador, é estimado que toda a ação - a morte de Beatriz, o transporte e subsequente abandono do corpo dela, assim como o encontro dele - durou apenas 20 minutos. A pequena janela de tempo impossibilita que o autor do crime tenha agido sem nenhuma ajuda.
Também
há indícios que o crime foi planejado com uma certa antecedência.
"A forma como ocorreu o crime aponta premeditação. A criança
não foi morta no local que foi encontrada. Ela foi morta em outro
local, transportada, colocada naquele depósito, em um curto espaço
de tempo. É quase impossível uma pessoa decidir cometer um crime
naquele momento. Ele teria de usar toda uma mágica,
praticamente, para sozinho cometer isso. Decidir naquele momento
fazer isso, e ninguém ver nada. Isso nos leva a crer que houve uma
premeditação", comentou o delegado Marceone.
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Beatriz,
7 anos, foi morta com 42 facadas dentro da escola onde
estudava (Foto:
Reprodução)
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A
informação também foi confirmada por Gilmário Lima, perito da
Polícia Civil, em entrevista ao G1 Petrolina. "Com certeza,
quem cometeu isso, tinha acesso a informações ou já
esteve diversas vezes nesse local, porque o local é de difícil
acesso então ou tinha de ter informação de uma segunda pessoa ou
ela mesmo saber como é o local", afirmou em entrevista.
Mesmo
tendo sido planejado, o fato de Beatriz ter sido a vítima não foi
uma decisão premeditada e sim aleatória, acredita o delegado
Marceone Ferreira. "Beatriz em nenhum momento ela foi atraída
para aquele local. Inclusive ela já havia descido algumas vezes e
não foi abordada. Então foi uma questão realmente de oportunidade
do autor. E também nós tivemos uma outra criança que foi abordada
e correu de volta para o ginásio", disse o investigador da
Polícia Civil.
Suspeito
de matar Beatriz seria homem identificado em retrato falado
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Foto:
Divulgação/Polícia Civil
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Pelo
menos nove testemunhas confirmaram a presença de um homem de blusa
verde, cujo retrato falado foi divulgado em fevereiro deste ano, na
área do bebedouro onde Beatriz foi abordada. O suspeito é
homem, moreno, tem cerca de 1,70m e pesa aproximadamente 70 quilos. O
homem também aparenta ter cabelos cacheados. Um dos mistérios que
ainda não foi esclarecido é que o caminho percorrido pelo assassino
não tinha marcas de sangue.
Ele
não teria agido sozinho. "Nós acreditamos que houve uma
logística para esse crime. Nós tivemos, evidentemente, o executador
que acreditamos que é a pessoa do retrato falado. Mas o
executor teve certamente um suporte de vigilância, de partícipes,
de co-autores", diz o delegado.
"Seria
praticamente impossível esse executor ter cometido o crime sozinho,
desaparecido da cena do crime sem deixar vestígios, sem ninguém ver
nada, com vários seguranças na escola. Haviam apenas dois acessos à
escola - um para os funcionários e outro para o público - e ninguém
viu nada. E é por esses e outros motivos que nós
acreditamos nessa tese," garante.
Cinco
funcionários da escola mentiram em depoimento
Quatro homens e duas mulheres, identificados pela polícia apenas como funcionários da escola, teriam mentido em depoimento e entrado em contradição. Entre eles está um vigilante do local, que deixou o seu posto durante a festa e permaneceu 1h40 dentro de uma sala vazia. Já a mulher foi vista caminhando na direção do local onde o corpo de Beatriz foi encontrado.
"Nós
temos funcionários da escola que tem muito o que explicar ainda
dentro da investigação, mas é importante que se diga que
ninguém está aqui confirmando que essas pessoas tiveram
participação direta ou indireta. Há muitas dúvidas, muitas
contradições, muitas imagens que nos levam a algumas suspeitas",
concluiu o delegado Marceone. A motivação do crime ainda não
foi determinada pela polícia, e as investigações sobre o caso
continuam.
Pais
desabafam: "esse monstro está solto"
Esse monstro está solto na sociedade. A gente não sabe se ele vai agir novamente, com quem ou como. Minha vida parou, em todos os sentidos. Eu só penso em justiça", disse a mãe da menina Lucia Mota, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, dois meses após a morte da filha.
Imagens
internas durante a festa da escola mostram a última vez que Beatriz
foi vista, brincando com uma amiga. Vinte minutos depois ela foi
encontrada morta por uma faca de cozinha. Na época do crime, a
escola só possuía câmeras na portaria, nos corredores e nos
pátios. "Infelizmente nós não tínhamos instalado as câmeras
na quadra", disse o administrador da escola Carlos André de
Melo.
"Todas
as manhãs eu acordo e sinto aquele impacto da dor e da realidade.
Elucidar um caso como esse nos traria um pouco de conforto. Trazer
Bia de volta, jamais! Mas nos daria mais tranquilidade", diz o
pai de Beatriz. "É como se algo tivesse tirando de dentro de
mim todas as minhas forças e todos meus sentimentos", completa
a mãe.




